Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, reconheceu o Guns N’ Roses como a atração de abertura mais impactante que o grupo britânico já contratou. O cantor descreveu a banda americana como um conjunto carregado de angústia e veneno durante a etapa norte-americana da turnê de 1988. O reconhecimento ocorreu em entrevista recente concedida à revista Metal Hammer, na qual o músico relembrou a ascensão meteórica do quinteto liderado por Axl Rose.
Elogio de Bruce Dickinson
A parceria entre as duas bandas aconteceu entre maio e o início de junho de 1988, totalizando 14 shows realizados nos Estados Unidos. Naquele período, o Iron Maiden promovia o disco Seventh Son of a Seventh Son, enquanto o Guns N’ Roses colhia os frutos do álbum de estreia, Appetite for Destruction, lançado em 1987. O grupo americano vivia uma fase de crescimento acelerado de popularidade, consolidando sua base de fãs antes mesmo de atingir o topo das paradas com o single Sweet Child O’ Mine em outubro daquele ano.
Steve Harris, baixista e fundador do Iron Maiden, também comentou sobre a dinâmica das apresentações da época. O músico explicou que o público da banda possui um perfil extremamente fiel e exigente, o que frequentemente gerava uma atmosfera de pressão sobre os convidados. Segundo Steve Harris, os artistas que abriam os espetáculos precisavam demonstrar segurança absoluta, pois os espectadores conseguiam identificar qualquer sinal de hesitação ou medo vindo do palco.
Guns N’ Roses abertura
A admiração de Bruce Dickinson não encontrou reciprocidade imediata por parte de Axl Rose. Em declarações registradas nos bastidores do festival Monsters of Rock 1988, o vocalista do Guns N’ Roses afirmou que não enxergava afinidades musicais ou conceituais entre as duas bandas. Axl Rose chegou a classificar a organização do Iron Maiden como algo próximo a uma estrutura política, distanciando o estilo do grupo inglês do conceito de rock and roll defendido por ele e seus companheiros de banda, como Slash, Duff McKagan, Izzy Stradlin e Steven Adler.
A trajetória do Guns N’ Roses na década de 1980 transformou o cenário do rock mundial ao introduzir uma sonoridade crua que contrastava com a estética progressiva adotada pelo Iron Maiden naquele momento. O sucesso comercial de Appetite for Destruction alterou a hierarquia das bandas de rock nos Estados Unidos, forçando grandes nomes da cena a reavaliarem suas escolhas de suporte em turnês. O impacto dessa breve associação entre os dois grupos permanece como um marco histórico para os fãs de música pesada, ilustrando a divergência de visões artísticas entre as gerações de músicos daquela época.
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