Brasil assina acordo policial contra anarquistas em 1906

Brasil, Argentina e Uruguai formalizaram em 21 de janeiro de 1906 o Pacto Policial Contra o Anarquismo. O tratado estabeleceu uma cooperação regional inédita entre as forças de segurança das três nações sul-americanas. A medida visava conter o avanço de ideologias políticas que resultaram em ataques contra chefes de Estado na virada do século.

Pacto Policial Contra o Anarquismo

O cenário de instabilidade política foi marcado por atentados contra figuras de poder na região. O presidente brasileiro Prudente de Morais sobreviveu a uma tentativa de assassinato em 1897, mesmo ano em que o presidente uruguaio Juan Idiarte Borda foi morto por um militante oposicionista. Posteriormente, o presidente argentino Manuel Quintana sofreu uma tentativa de homicídio em 1905, seguida por uma emboscada contra seu sucessor, José Figueroa Alcorta, em 1906.

A articulação para o pacto avançou durante a Conferência Interpolicial, realizada em outubro de 1905 na cidade de Buenos Aires. O encontro reuniu autoridades continentais para discutir a implementação de tecnologias de identificação, como a datiloscopia. O objetivo central consistia em padronizar o registro de populações em documentos de identidade e conectar as polícias nacionais para o combate aos crimes políticos.

Cooperação regional Brasil Argentina Uruguai

O historiador e jornalista Rômulo Dias, professor de política internacional no Espaço Zeitgeist, analisa o período como uma fase de busca por estabilidade pelas oligarquias locais. Segundo Rômulo Dias, a vinda maciça de imigrantes europeus trouxe ideologias diversas que foram interpretadas como ameaças ao status quo. O especialista pontua que, na Argentina, as ideias anarquistas se traduziram em tentativas concretas de assassinatos, forçando os governos a buscarem uma resposta coordenada.

A modernização das forças policiais buscava “cientifizar” o trabalho de investigação e controle social na região. O pacto funcionou como uma tentativa de estancar a instabilidade política que, conforme a visão da época, assemelhava-se a um barril de pólvora. A cooperação entre os países permitiu que as polícias compartilhassem métodos eficientes de vigilância e registro, consolidando um marco histórico na integração das forças de segurança sul-americanas.

Modernização da datiloscopia na América do Sul

O acordo de 1906 consolidou a primeira iniciativa de cooperação policial regional focada no monitoramento de grupos considerados subversivos. As autoridades brasileiras, argentinas e uruguaias utilizaram o intercâmbio tecnológico para fortalecer a manutenção da ordem pública. O registro histórico deste pacto pode ser consultado nos arquivos de domínio público do Governo do Brasil.

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