Anvisa aprovou o fezolinetanto, comercializado como Veoza, em 23 de junho de 2026. A decisão foi publicada na sede da agência em Brasília, segundo comunicado oficial. O remédio será o primeiro não hormonal autorizado no país para sintomas vasomotores da menopausa.
A aprovação amplia as opções terapêuticas para mulheres que não podem usar terapia hormonal ou que não obtiveram alívio com esse método. O medicamento foi avaliado com base em ensaios clínicos que incluíram mais de 3 mil mulheres brasileiras, demonstrando redução significativa na frequência e intensidade dos fogachos. A indicação principal abrange pacientes com sintomas moderados a graves que comprometem sono, disposição e qualidade de vida.
Os estudos mostraram que o fezolinetanto age bloqueando o receptor NK3 no hipotálamo, região cerebral responsável pela regulação da temperatura corporal. Diferente da reposição hormonal, o fármaco não contém estrogênio nem progesterona, o que o torna adequado para mulheres com contraindicações hormonais. Ainda não foram divulgados preço ou data de lançamento para o Veoza.
Rita de Cassia Dardes, ginecologista e integrante da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), afirmou que “o fezolinetanto não substitui a terapia hormonal, mas amplia as possibilidades de tratamento”. Denise Joffily, ginecologista do Hospital Hospital das Clínicas, reforçou que a terapia hormonal continua sendo a referência, mas que o novo fármaco preenche uma lacuna importante para pacientes que buscam alternativas não hormonais.
A novidade tem repercussão social ao oferecer uma solução para mulheres que, segundo levantamento da Febrasgo, representam 7 % da força de trabalho que já saiu do emprego por causa dos sintomas da menopausa. O acesso a um tratamento oral não hormonal pode reduzir ausências e melhorar a produtividade, além de atender a pacientes com histórico de câncer de mama, que precisam de avaliação conjunta com oncologistas antes de iniciar qualquer terapia.
Nos próximos meses, a Anvisa deve definir o preço do Veoza e autorizar a comercialização nas farmácias brasileiras. Fabricantes ainda não anunciaram cronograma de produção, mas esperam iniciar a distribuição ainda em 2026, conforme previsto nas normas regulatórias.
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