Antônio Vinícius Lopes Gritzbach revelou ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) o funcionamento de um esquema de lavagem de dinheiro operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). O relato ocorreu em 6 de outubro de 2023, durante uma reunião conduzida por promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O corretor de imóveis, que foi fuzilado no Aeroporto Internacional de São Paulo em novembro de 2024, detalhou a estratégia utilizada pela facção para converter recursos em espécie em ativos com aparência legal.
Esquema de lavagem do PCC
A operação descrita por Antônio Vinícius Lopes Gritzbach consistia na transformação de dinheiro vivo em transferências bancárias, processo denominado pelo colaborador como “bancarizar” os valores. O objetivo central era conferir liquidez ao capital criminoso e dificultar o rastreamento pelos órgãos de controle financeiro. O corretor afirmou que o esquema contava com a participação de intermediários que disponibilizavam contas bancárias para realizar as transações, garantindo que o montante circulasse dentro do sistema financeiro formal.
O custo para a utilização desse serviço de lavagem variava entre 1% e 2,5% do valor total movimentado pelos criminosos. Em um exemplo hipotético de R$ 1 milhão, o corretor explicou que a conversão era necessária para viabilizar a compra de imóveis ou o pagamento de contratos sem a necessidade de transporte físico de grandes volumes de dinheiro. Antônio Vinícius Lopes Gritzbach destacou que as fintechs atuavam como uma camada de proteção, operando sob o “guarda-chuva” de instituições maiores para dissimular a origem dos recursos.
Depoimento de Antônio Vinícius Gritzbach
O promotor Lincoln Gakya questionou o corretor sobre a estrutura das fintechs e os alertas de segurança recebidos pelos integrantes da facção. Antônio Vinícius Lopes Gritzbach afirmou aos promotores que os criminosos eram avisados sobre investigações ou bloqueios judiciais em tempo real. “Eles conseguem ser avisados por eventuais investigações, conseguem ser avisados por eventuais bloqueios”, declarou o corretor durante a reunião gravada em vídeo. Essa estrutura permitia que os suspeitos retirassem o dinheiro das contas ou alterassem o método de movimentação antes da efetivação de medidas restritivas.
Rafael Maeda Pires, conhecido como Japa, foi apontado por Antônio Vinícius Lopes Gritzbach como o responsável por presidir e administrar as transferências bancárias do grupo. O corretor afirmou que Rafael Maeda Pires enviava os comprovantes de depósito necessários para concretizar negócios imobiliários envolvendo a facção. A documentação dessas transações, segundo o relato, comprovaria a conexão direta entre as contas movimentadas e a estrutura financeira utilizada pelo crime organizado para ocultar o patrimônio.
Operações financeiras do crime organizado
O sistema financeiro nacional enfrenta desafios constantes para identificar movimentações atípicas realizadas por meio de fintechs e contas de laranjas. O Banco Central do Brasil mantém diretrizes de prevenção à lavagem de dinheiro, que podem ser consultadas no portal oficial www.bcb.gov.br. A colaboração de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach com o Gaeco forneceu elementos sobre a logística de ocultação de ativos que ainda integram as investigações sobre as finanças do Primeiro Comando da Capital.
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