Antônio Vinícius Gritzbach revelou em depoimento gravado ao Gaeco no dia 16 de julho de 2024 uma tentativa de extorsão praticada por policiais civis. O corretor de imóveis, que colaborava com o Ministério Público de São Paulo, detalhou o esquema criminoso enquanto prestava esclarecimentos sobre suas atividades ligadas ao PCC.
Delação de Antônio Vinícius Gritzbach
O depoimento ocorreu no âmbito de uma delação premiada homologada pela Justiça em abril de 2024. Antônio Vinícius Gritzbach afirmou que o delegado Fábio Baena e o chefe de investigadores Eduardo Monteiro, ambos do DHPP, exigiram pagamentos milionários. O corretor foi morto a tiros em novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em um crime que chocou o país.
A exigência financeira relatada por Antônio Vinícius Gritzbach atingia a cifra de R$ 30 milhões a R$ 40 milhões. O corretor também denunciou a apropriação indevida de um sítio localizado em Biritiba Mirim, avaliado em R$ 1,5 milhão, além de diversos relógios de luxo. O imóvel estava registrado em nome do dentista Roberto Vioto, mas o delator apresentou documentos que comprovariam a propriedade real.
Extorsão no DHPP de São Paulo
“O advogado foi indicado pelo próprio delegado”, afirmou Antônio Vinícius Gritzbach ao mencionar a atuação de Ivelson Saloto durante sua prisão temporária em fevereiro de 2022. O corretor relatou aos promotores que Ivelson Saloto transmitiu o pedido de propina em nome de Fábio Baena e Eduardo Monteiro. A justificativa dos policiais seria a suposta posse de um dispositivo contendo chaves de acesso a criptomoedas.
O setor de segurança pública de São Paulo enfrenta questionamentos severos após a revelação dos áudios e documentos apresentados pelo delator. A corrupção policial dentro do DHPP comprometeu investigações sobre as mortes de Anselmo Becheli Santa Fausta e Antônio Corona Neto. O caso expõe a fragilidade dos mecanismos de controle interno da corporação diante de agentes acusados de desvio de conduta.
Prisão de Fábio Baena e Monteiro
Os desdobramentos da investigação resultaram na prisão de Fábio Baena e Eduardo Monteiro no dia 17 de dezembro de 2024. As autoridades seguem analisando os materiais entregues pelo delator para identificar outros envolvidos no esquema de extorsão. O processo judicial tramita sob sigilo para garantir a integridade das apurações sobre a atuação dos agentes públicos.
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