Abelardo de la Espriella alinha Colômbia à direita dos EUA

Abelardo de la Espriella venceu as eleições presidenciais da Colômbia na noite de 21 / 6 / 2026 e tomou posse no Palácio de Nariño em 22 / 6 / 2026. O empresário, líder do movimento ultradireita Defensores da Pátria, recebeu felicitações de diversos governos latino‑americanos logo após a vitória.

A ascensão de Espriella indica ruptura com a política externa de esquerda que marcou a gestão de Gustavo Petro. O novo presidente declarou que pretende alinhar a Colômbia à política dos Estados Unidos, Israel e a governos conservadores como o da Argentina. O cientista político francês Yann Basset, da Universidade del Rosario, afirmou que a Colômbia “entra nesse clube de países próximos a Washington na América Latina”. Essa mudança pode afastar a Colômbia do bloco liderado por Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil e por Cláudia Sheinbaum no México.

Rafael Castro Alegría, especialista em relações internacionais da Pontifícia Universidade Javeriana, apontou que Espriella já anunciou intenção de se retirar da ONU, da OEA e do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. O analista destacou que tais decisões “transformariam a Colômbia em pária regional e global”. Além disso, o presidente eleito disse que não negociará diretamente com Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, devendo canalizar todo o diálogo pelo Departamento de Estado dos EUA.

“Espriella se insere plenamente no grupo de governantes de direita que buscam alinhamento com a política dos Estados Unidos”, disse Basset à DW. Castro Alegría completou: “A posição é bastante chamativa e, eu diria, um pouco preocupante, porque Espriella afirmou que não vai tratar diretamente com Delcy Rodríguez”. Ambas as declarações reforçam a expectativa de maior dependência de Washington nas decisões diplomáticas colombianas.

O governo brasileiro, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, deve enfrentar atritos ideológicos com a nova administração colombiana, embora o peso econômico do Brasil impeça uma ruptura total. O comércio bilateral, que movimentou US$ 5,3 bilhões em 2025, pode sofrer pressão diante de divergências políticas. No âmbito regional, a vitória de Espriella segue o triunfo de José Antonio Kast no Chile, Rodrigo Paz na Bolívia e a provável eleição de Keiko Fujimori no Peru, sinalizando uma guinada à direita na América do Sul.

Espriella ainda não definiu um calendário oficial para a retirada das organizações internacionais, mas indicou que as medidas serão anunciadas nos primeiros 90 dias de mandato. A expectativa é que a Colômbia reavalie acordos comerciais e de segurança com Washington, enquanto mantém relações econômicas com o Brasil.


📲 Quer ser o primeiro a saber? Siga @noticias.24horas.sp no Instagram — notícias da sua região, 24 horas por dia.

Publicidade