Abelardo de la Espriella venceu as eleições presidenciais na Colômbia com promessas de construir sete megaprisões inspiradas no sistema de Nayib Bukele. O presidente de El Salvador tornou-se uma referência política internacional devido à sua política de pulso forte contra o crime organizado. A estratégia inclui o uso de grandes centros de detenção para abrigar milhares de suspeitos de integrar gangues.
Modelo prisional de Nayib Bukele
A candidata à presidência do Peru, Keiko Fujimori, também incorporou o modelo salvadorenho em sua plataforma de segurança pública. Ela planeja a construção de quatro penitenciárias e uma unidade de segurança máxima voltada para réus de alta periculosidade. A proposta faz alusão direta ao Centro de Confinamento do Terrorismo, conhecido como Cecot, que enfrenta críticas por denúncias de violações de direitos humanos.
O interesse pelo sistema de Nayib Bukele alcançou a direita radical na França através de Jordan Bardella. O presidente do partido Reagrupamento Nacional citou a criação de 40 mil vagas carcerárias em apenas oito meses como um exemplo para solucionar a superlotação prisional francesa. O país centro-americano possui uma população de 6 milhões de habitantes, servindo de base para o cálculo apresentado pelo político francês em entrevista à rede BFMTV.
Abelardo de la Espriella e Keiko Fujimori
Sonja Wolf, pesquisadora da Faculdade de Governo e Economia da Universidade Panamericana, questiona a validade do termo modelo para a política salvadorenha. A autora do livro Mano Dura afirma que o regime de exceção cumpre uma função dupla ao combater a criminalidade e reforçar a legitimidade política do governo. Segundo a especialista, o sistema consolida o que descreve como uma autocracia eleitoral focada na demonstração de apoio popular.
O regime de exceção vigente em El Salvador permite detenções em massa e tem sido o pilar central da gestão de Nayib Bukele. A política de segurança pública gera debates intensos sobre o equilíbrio entre o controle da violência e a preservação das garantias individuais. Líderes políticos que adotam essa retórica buscam capitalizar o descontentamento social com a criminalidade para fortalecer suas posições eleitorais.
Segurança pública e megaprisões na América Latina
A implementação dessas propostas depende agora da vitória definitiva e da posse dos candidatos citados em seus respectivos países. O acompanhamento das futuras construções de unidades prisionais revelará se a promessa de campanha será convertida em políticas públicas efetivas. A comunidade internacional monitora os desdobramentos dessas medidas frente às recorrentes denúncias de abusos documentadas por organizações de direitos humanos.
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