noticia-art_1777494602388_9lwy7

O discurso de Jorge Messias na sabatina do Senado soou excessivamente cauteloso e preparado, avaliou Gustavo Sampaio, professor de direito constitucional da Universidade Federal Fluminense. O especialista destacou a tentativa do advogado-geral da União de agradar diferentes espectros políticos diante de um Senado dividido. Isso ocorreu no UOL News – 2ª edição, do Canal UOL, em 29 de abril de 2026.

A tarefa de Messias não é fácil por uma razão de dosagem discursiva. É atingir o ponto ideal, defendendo a institucionalidade do Congresso e uma autocontenção do Judiciário, na tentativa de agradar a agenda da esquerda, dizendo-se evangélico e, portanto, a favor da vida e de certos direitos que são cláusula matriz da advocacia dessas denominações evangélicas. Gustavo Sampaio destacou que era um discurso pronto, que estava havendo assim um certo exagero de cautela de Jorge Messias, a caracterizar um descrédito da própria fala dele.

Verificou-se que Messias não tinha outra alternativa a não ser escolher o caminho do equilíbrio em sua sabatina no Senado. Era nítido que qualquer senador ali poderia pensar que estava diante de um candidato que está fazendo um enorme esforço para se salvar diante do perigo de uma rejeição, embora esse risco seja pequeno. Daniela Lima, colunista do UOL, acrescentou que Messias está tentando encontrar um equilíbrio, inclusive fazendo acenos claros à direita, ao dizer que a anistia é um tema que deve ser resolvido no Legislativo.

Gustavo Sampaio enfatizou que Messias precisa realmente mostrar que é capaz de ficar no ponto do intermédio e ser, portanto, um elemento de moderação, alguém que se posiciona no campo da conciliação, que é o papel da magistratura. Messias também tem um passado de atuação pelo PT que o faz empreender um tremendo esforço para se defender de certas questões formuladas.

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a indicação de Jorge Messias ao STF, e o nome vai a plenário. Messias é um candidato diante de um Senado dividido, de uma política nacional dividida e de uma Comissão de Constituição e Justiça igualmente dividida. Ele precisa realmente mostrar que é capaz de ficar no ponto do intermédio e ser, portanto, um elemento de moderação.

Publicidade