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Em uma experiência inovadora realizada em outubro de 2025, a professora de história, filosofia e sociologia Ana Paula Aguiar, introduziu uma ferramenta de inteligência artificial em sua sala de aula do segundo ano do ensino médio. A proposta permitiu que os alunos interagissem, de forma supervisionada, com personalidades históricas como Napoleão Bonaparte e Getúlio Vargas. A iniciativa foi solicitada pela CNN Brasil e visou explorar a utilidade da IA no aprendizado.

As interações foram surpreendentes, com a IA assumindo a persona de Napoleão, que respondeu a perguntas sobre seu governo e eventos históricos com frases como ‘Très bien, mademoiselle’ e ‘C’est la guerre!’. Os resultados indicaram que a ferramenta possui grande potencial para o aprendizado, desde que utilizada de maneira responsável e complementando o ensino tradicional, sem a intenção de substituí-lo.

Ana Paula, que atua no Sistema de Ensino pH, começou a interação com um prompt direto e ficou impressionada com a capacidade da IA de ajustar suas respostas. ‘A ferramenta refinou meu pedido, questionando se eu queria conversar com um Napoleão do início do século XIX ou um que estivesse ciente do mundo contemporâneo’, explicou a professora. Essa habilidade de adaptação foi um dos aspectos mais fascinantes da experiência.

Quando questionou o “Napoleão” sobre o governo do Diretório, a IA forneceu uma análise que ressoava com discursos autênticos do general, refletindo a instabilidade política da época. A resposta, embora um pouco mecânica, demonstrou coerência com o contexto histórico. Em outra interação, ao abordar a invasão à Rússia, a IA, na figura de Napoleão, respondeu de forma evasiva sobre o czar Alexandre I, enfatizando os desafios do vasto império russo e a seriedade de decisões militares.

Ana Paula observou que seu conhecimento aprofundado como historiadora permitiu que ela questionasse e rebatasse algumas afirmações da IA. ‘Um estudante, sem esse domínio, poderia ser facilmente convencido pelas respostas dadas pela ferramenta’, refletiu. Essa observação destaca a importância do conhecimento prévio ao utilizar a IA como recurso educativo.

A interação com outras figuras históricas, como a compositora Chiquinha Gonzaga e a artista Tarsila do Amaral, também trouxe à tona respostas factualmente corretas, mas em muitos casos, elas soaram genéricas ou mecânicas. Um momento problemático ocorreu ao questionar Tarsila sobre sua prisão em 1933, que, segundo Ana Paula, extrapolou o que a artista provavelmente diria, levantando questões sobre a precisão das respostas geradas pela IA.

Um ponto de virada na aula aconteceu quando um aluno, Pedro, forneceu informações adicionais à IA e elaborou perguntas mais específicas para interagir com Getúlio Vargas. O resultado foi uma conversa mais fluida e contextualizada, permitindo que o aluno analisasse criticamente as respostas, identificando nuances e limitações na narrativa da IA.

Ana Paula conclui que a ferramenta é mais eficaz com usuários que já dominam os conteúdos históricos e que sabem formular bons prompts. O uso da IA se mostrou didático e engajador, despertando o interesse dos alunos de maneira significativa. Ela ressalta que, embora o recurso tenha grande valor para uma educação alinhada com as novas tecnologias, sua utilização requer um letramento digital que permita distinguir entre interpretações criativas e informações historicamente fundamentadas.

O professor John Paul Hempel Lima, doutor em inteligência artificial e diretor da graduação online da Fiap, reforça a importância de usar a IA como aliada no aprendizado, enfatizando a necessidade de responsabilidade e criticidade durante seu uso em sala de aula. Essa abordagem é crucial para garantir que a IA complemente o ensino de forma eficaz, sem comprometer a profundidade e a precisão do conhecimento histórico.

A experiência de Ana Paula na sala de aula destaca o potencial transformador da IA na educação, abrindo novas possibilidades de interação e aprendizado, enquanto também alerta para os cuidados necessários no uso dessa tecnologia.

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